Quem sou eu

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
positivosim@gmail.com Sou um cara normal, que contraiu o HIV em uma relação homossexual monogâmica (ao menos da minha parte). O resto vai ser postado aqui nesse blog...
Google
 

terça-feira, 30 de outubro de 2007

VIDA em sua Plenitude X Sangue venenoso

Algum tempo após o resultado dos exames comecei a ver a vida de uma forma diferente.

Percebi que tinha que me dedicar àquelas coisas para as quais eu nasci, as coisas pelas quais tinha paixão.
Resolvi, então, fazer uma segunda faculdade, a que eu sempre tive vontade de fazer mas me faltava coragem.
Comecei o estudo da vida, a biologia, curso ao qual me dediquei de corpo e alma. Foi algo que simplesmente se fazia necessário. Fiz porque era algo que sempre gostei, não numa tentativa de me tornar um expert na minha doença.

Minha sensação era como se eu não tivesse mais tempo a perder. Não que eu estivesse sentenciado à morte breve e que precisava fazer tudo às pressas, muito pelo contrário. Passei a dar mais valor a certas coisas e a vida está repleta de presentes para aproveitarmos. Simplesmente não vale a pena abrir mão deles! A questão é viver em sua plenitude.

Por outro lado, passei por uma fase um pouco "neurótica", me sentia venenoso (palavra terrível, eu sei, mas era como me sentia)...
Certos medos apareciam no cotidiano, como quando ocorria um machucado que sangrasse. Ficava meio paranóico achando que alguém ia encostar em mim, estar com um corte, e eu seria a causa de uma nova contaminação. Milhares de idéias passavam pela minha cabeça!!!
Nada melhor do que conversar com um especialista nessas horas para ter uma orientação.
Estava querendo viver a vida em sua plenitude mas vários medos e ignorâncias me impediam.

Frente a isso, fui buscar auxílio e informação com a minha médica. Assim vários medos foram embora e passei a ser mais cauteloso com outras coisas, como esconder meu aparelho de barbear (algumas pessoas possuem o péssimo hábito desagradável de pegar emprestado dos outros na mesma casa!). Isso me preparou para poder ajudar minha irmã em uma situação posterior, quando ela teve alguns desses medos.

O que ocorreu foi uma conversa da minha irmã com a minha mãe, onde a primeira estava em pânico, por ignorância dos fatos, uma vez que ela e o namorado utilizavam o mesmo banheiro que eu. A coitada achou que eu tinha escutado essa conversa e ficado magoado. Na verdade sequer ouvi! Simplesmente vi que ela estava aos prantos e perguntei à minha mãe o que havia ocorrido. Com a explicação, fui conversar com ela, dizer que não estava magoado de forma alguma e que nem sabia de tal conversa até então... só soube pela tristeza dela em achar que me deixou triste.

Fiz questão de esclarecer que não ficaria ofendido com isso, afinal o fato de não se ter informações sobre alguma coisa sempre é algo amedrontador. Ainda assim tive que insistir bastante, pois na cabecinha dela, a idéia que passava era de que eu era muito bom e não queria que ela se sentisse mal, então apesar de ter me ofendido estava dizendo que não estava, o que não procedia.

Simplesmente não acho que faz sentido algum ficar magoado com alguém por falta de conhecimento. O melhor remédio para isso é a instrução, a maior quantidade de informações possível!

Deixo aqui um trecho de um livro fantástico para quem se interesse:

...lhe rogo... ter paciência com tudo o que há para resolver em seu coração e procure amar as próprias perguntas como quartos fechados ou livros escritos num idioma muito estrangeiro. Não busque por enquanto respostas que não lhe podem ser dadas, porque não as poderia viver. Pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga viver a resposta...

Descrição: Este volume apresenta duas das obras mais conhecidas de Rainer Maria Rilke. Cartas a um Jovem Poeta, com tradução de Paulo Rónai, nome de relevante projeção nos meios literários brasileiros, compõe-se de uma série de dez cartas, escritas entre 1903 e 1908, endereçadas ao jovem Franz Xaver Kappus, indeciso entre seguir a carreira militar e a literária. Como afirma Cecília Meireles, a autora do prefácio, "... as respostas de Rilke não oferecem a Kappus uma receita literária, embora digam coisas essenciais sobre o exercício da literatura. [As cartas] vão mais longe: tratam da formação humana, base de toda criação artística." A outra obra incluída no presente volume é A Canção de Amor e de Morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke, com tradução de Cecília Meireles, nome maior das nossas letras. Poema escrito de uma só vez numa noite de 1899, logo alcançou extraordinária fama em toda Europa e América. A história do livro. Em junho de 1929, três anos após a morte de Rainer Maria Rilke, Kappus decidiu publicar dez cartas que recebera do poeta em um momento decisivo de sua vida e que poderiam ser úteis a outros jovens, vivendo os conflitos e as incertezas da idade. "De literatura, propriamente, pouco falam as cartas", escreve Cecília Meireles, "O resto é muito mais importante, uma vez que a parte formal da arte acaba sempre por se realizar, quando atrás dela há uma imposição total de vida transbordante."
Título: CARTAS A UM JOVEM POETA
Autor: Rainer Maria Rilke

3 comentários:

Anônimo disse...

Caro amigo virtual, adorei o seu blog, vc se mostra um cara inteligente e reservado. Gostaria muito de ser seu amigo, pois tambem sou soropositivo a 22 anos, sem intercorrencias. Meu email e destino.destino2007@hotmail.com. Um grande abraco e parabens pela iniciativa.

Anônimo disse...

Destino.destino2007@hotmail.com

Positivo Sim disse...

Muito obrigado.
Te adicionei no msn, mas confesso que não utilizo muito.
De qualquer forma o e-mail está guardado e o meu do gmail (positivosim@gmail.com) está no blog.
Abraços