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positivosim@gmail.com Sou um cara normal, que contraiu o HIV em uma relação homossexual monogâmica (ao menos da minha parte). O resto vai ser postado aqui nesse blog...
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sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Consultas Médicas - contatos com outros portadores

Até o início do meu acompanhamento médico, não tinha muito contato com portadores do HIV, ao menos que eu soubesse.

Me lembro de poucas ocasiões que cito aqui:


- no início da minha adolescência, fui com minha tia-avó visitar um amigo dela que eu sabia ter AIDS. Era bem novo, ninguém sabia da minha orientação sexual e, confesso, que o fato de ele ter AIDS não me incomodou nem um pouco. Duas coisas ficaram na minha memória (coisas de início de adolescência), uma fora o fato de ele estar de bermuda e meias escuras, o que achei muito feio (rs), a outra foi uma certa atração da minha parte, afinal era um sujeito atraente. Ficamos um tempo por lá, fizemos uma visita e tinha até me esquecido dele, só recordei agora, afinal era amigo da minha tia e não meu;


- à época do meu segundo namoro (não era soropositivo), fui com meu namorado assistir um espetáculo de dança de um grupo de apoio à portadores de AIDS (não me recordo o nome do grupo), que inclusive já citei em outro post. Os bailarinos e bailarinas eram ótimos e foi um show belíssimo, sendo que nenhum deles portadores, porém conheci alguns integrantes do grupo que eram pessoas fantásticas, cheias de vida e conteúdo! Durante esse namoro, costumava encontrar com eles regularmente e para mim era a coisa mais normal do mundo;


- durante o namoro exposto acima, viajamos para outro estado, onde conheci um casal sorodiscordante, cujo portador do HIV era inclusive dono de uma grife famosa. Mais uma vez tive contato com pessoas maravilhosas e sem qualquer preconceito.


Interessante o fato de que somente agora, ao escrever esse post eu fui lembrando dessas situações. Tinham se perdido na minha memória por completo até então! Talvez pelo fato de ter encarado tudo com a maior normalidade à época em que ocorreram. Quando me descobri portador nada disso me veio a cabeça e o medo do preconceito tomou conta de mim.


Agora, olhando para trás vejo que esse medo me parece um pouco besta, afinal nunca fui assim e não gostaria de alguém com esses preconceitos perto de mim. Logo a rejeição não parece tão terrível, afinal estaria sendo rejeitado por alguém que não faz o meu perfil sequer de amizade.

Comecei esse post com uma outra intenção, porém ele veio se desenvolvendo sozinho a medida em que meus dedos batiam no teclado e as lembranças surgiam. Contudo resolvi não alterar o título, pois ele me trouxe essas lembranças e isso foi algo esclarecedor e calmante para mim.

Minha idéia inicial era falar sobre os primeiros contatos com outros soropositivos nas minhas consultas, até descobrir que não foram os primeiros.
Hoje foi um dia corrido e levemente chato. Descobri que o túnel vai continuar fechado para o Cosme Velho por mais 6 meses, o que vai deixar o trânsito do Rio meio caótico por um longo tempo; fui à minha consulta e meus exames não estão maravilhosos, portanto terei de voltar em janeiro para ver como está minha carga viral, CD4 e CD8 (melhorando fica tudo como está, piorando iniciarei uma medicação leve - ossos do ofício, os resultados costumam oscilar algumas vezes). Deixo minha intenção de post inicial para um próximo.



Fica aqui a indicação de um filme que assisti nesses últimos dias (Em Busca da Felicidade - "The Way to the Texas"; Título Original: "Have Dreams, Will Travel"), com uma história maravilhosa:


Sinópse:
Um garoto de 13 anos de idade está cansado de não ter a atenção de seus pais. Ele não tem muita esperança que alguma coisa mude até que uma garota da mesma idade vem a sua casa para morar com a família. Ela tem a idéia de fugir em busca de seus tios que vivem de uma maneira hippie, e incentiva o garoto a ir com ela. Assim, os dois partem em uma incrível jornada cheia de aventuras e de descobertas. No caminho eles encontram diversas pessoas, cada uma delas ensina à dupla, diferentes lições sobre o mundo. Quando chegam ao final da jornada, eles percebem que a família nunca é perfeita, mas que é provida de um amor raro e incondicional, que floresce mesmo nos tempos mais difíceis, e que os sonhos não são impossíveis.

4 comentários:

Anônimo disse...

Esse filme é cativante e tem uma bela trilha sonora de Glen Ballard.

Positivo Sim disse...

A trilha sonora realmente é fantástica!!!

perambulnte disse...

E ai Fio. Bela forma de escrever. Tenho 30 anos e passo por altos e baixos emocionais, onde o HIV é só um detalhe. vou começar a acompanhar seu blog. Abraço.
Perambulante-SP

Positivo Sim disse...

Obrigado Perambulante,
infelizmente não tem sobrado muito tempo atualmente para que eu possa estar sempre escrevendo.
Abraços