Quem sou eu

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
positivosim@gmail.com Sou um cara normal, que contraiu o HIV em uma relação homossexual monogâmica (ao menos da minha parte). O resto vai ser postado aqui nesse blog...
Google
 

domingo, 18 de novembro de 2007

Fuga

Parei de postar por um tempo e não foi por falta de assunto. Analisando hoje acho que foi uma fuga.

É impressionante como existem mecanismos de fuga: sono, drogas, álcool, cigarro, remédios, as coisas mais diversas! Já passei por vários e nos últimos dias me dei conta que usei um novo: família e amigos!
Pode soar estranho mas me utilizei dos meus amigos como fuga, dos problemas deles e compromissos para não virar para o meu umbigo e encarar os meus problemas. Fiz isso tanto que cheguei a perder minha terapia nessa semana que passou resolvendo problemas alheios.
Ontem minha madrinha ligou para dizer que minha prima estava aparecendo em um programa da GNT falando sobre síndrome do pânico, tema sobre o qual ela inclusive escreveu um livro, pois teve e se curou. Fui assistir e ela disse uma coisa que bateu fundo em mim: usou o câncer como álibi para a síndrome do pânico. Pode parecer absurdo, mas até o câncer pode ser uma fuga! No caso dela, que venceu o câncer, ele era uma forma de não lidar com a síndrome do pânico, pois os sintomas que sentia da síndrome eram todos "desculpados" pelas outras pessoas e por ela mesma por conta do câncer, mas aquela não era encarada por conta de um mecanismo de fuga.
Me refugiei na minha família e amigos. Desde a semana passada fiquei resolvendo os problemas dos outros, levando avó no dentista, irmã no médico, outra irmã no aeroporto, indo a aniversários e shows de amigos, encontrando outros que não via há tempos e resolvendo problemas de tantos outros. Com isso fui dormir tarde quase todos os dias e me deixei de lado, tendo uma semana exaustiva, sempre acordando cedo cansado . Em um primeiro momento me vitimei: "Como fico cansado por ter que ajudar aos outros, ir a compromissos que não posso faltar. blá, blá, blá..."
Cheguei ao ponto de dizer que tinha que aprender a falar não, pois as pessoas estavam abusando da minha boa vontade, porém isso não é verdade! Sei muito bem dizer não. O que estava ocorrendo era uma nova forma de fuga. Para não encarar meus problemas encontrei a "solução" resolvendo os problemas alheios. Solução entre aspas obviamente pelo fato de que não soluciona nada. Há a necessidade do equilíbrio, da minha tanto alvejada temperança!
Obviamente que devo comparecer aos aniversários de meus amigos que sempre me prestigiam nos meus, aos shows de outros, devo sem dúvida alguma ajudar a minha família no que for possível. Porém é algo da sobrevivência e não do egoísmo a necessidade de nos ajudar primeiro. Alguém me deu como exemplo algo que eu tenho dentro de mim, por ter feito curso de comissário de vôo, mas não coloquei em prática - quando há algum problema e as máscaras de oxigênio são soltas no avião, primeiro é necessário colocar a sua para só então colocar na pessoa ao lado, seja uma criança ou alguém que necessite de ajuda. Se esse procedimento não for executado, ao invés de uma pessoa em risco estarão duas, pois se não conseguir colocar a máscara do outro a tempo, apagamos nós e o outro que não conseguimos ajudar.
O ponto é: fugi de tudo através dos outros. Ainda que não tivesse consciência na hora o fiz por escolha.
Aproveitando os temas ajudar aos outros e fuga (no caso do filme, alcoolismo) deixo postada a sugestão de um filme que acho muito bom, com Helen Hunt, Kevin Spacey e Haley Joel Osment:
A Corrente do Bem (Pay It Forward)

Sinopse:
Eugene Simonet (Kevin Spacey), um professor de Estudos Sociais, faz um desafio aos seus alunos em uma de suas aulas: que eles criem algo que possa mudar o mundo. Trevor McKinney (Haley Joel Osment), um de seus alunos, leva o desafio a sério e cria uma corrente, chamando de "pay it forward" (pagando adiantado), em que a cada favor que recebe você retribui a três outras pessoas. A idéia funciona, ajudando o próprio Eugene a se desvencilhar de segredos do passado e também a mãe de Trevor, Arlene (Helen Hunt), a encontrar um novo sentido em sua vida.

2 comentários:

Anônimo disse...

Eis aqui uma das suas características: coragem para ser verdadeiramente sincero, ainda que doa sê-lo.
E ela vem sempre acompanhada de uma indignação, em maior ou menor grau, que com o passar do tempo não se perdeu.
Te amo imensamente e quero vê-lo feliz. Como eu quero!

Positivo Sim disse...

Minha amiga querida,
também te amo muito e quero a sua felicidade plena!!!
Um dia chegamos lá!
Beijos saudosos