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positivosim@gmail.com Sou um cara normal, que contraiu o HIV em uma relação homossexual monogâmica (ao menos da minha parte). O resto vai ser postado aqui nesse blog...
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domingo, 17 de janeiro de 2010

Presente

Nas minhas sessões de terapia, com os dois terapeutas que considerei os melhores que tive, uma questão sempre levantada era o fato de eu costumar viver do passado e pensando no futuro.
A vida assim não existe, pois o passado já foi e o futuro nunca chega pois não vivemos o presente. Como quando o amanhã chega é transformado em hoje, ele é impossível de se viver.
Pensei em coisas superficiais e profundas, como:
“Já estou na casa dos 30, e como um bom carioca, minha aparência física e algo com o que me preocupo, porém estou longe de ter o corpo ideal que sempre sonhei. Se continuar esperando que as coisas aconteçam por si só, vou chegar nos 40 um bagulho! Acho que estou melhor agora do que quando fui modelo, porém as gordurinhas extras me aborrecem bastante. Da mesma forma a falta de tempo (na verdade de disciplina), que me fez abandonar os exercícios físicos nos últimos meses, fez com que tivesse uma perda de massa magra que também me chateia. Está na hora de começar uma alimentação mais balanceada nos finais de semana (durante a semana sou 100%, mas sábado e domingo acabo comendo qualquer coisa que me dê vontade, chegando a exageros absurdos) e malhar bem todos os dias que tiver a disponibilidade, pois viajo todas as semanas.”
“Quando estou em BH tudo o que penso é em estar com meus amigos e família, porém ao chegar no Rio acabo não encontrando ninguém e virando um total couch potato, ficando feito um zumbi na frente da TV. Acho que o faço exatamente para não ter que pensar. É um ´local` muito cômodo, pois não participo, não penso e não sofro, as coisas apenas passam. Contudo a culpa me de não encontrar os amigos que eu amo e de estar com minha família apenas pela metade, me consomem de uma forma absurda".”
“Financeiramente preciso me estabilizar. Nesse país é impossível viver de aposentadoria, principalmente se não tiver um imóvel próprio. Aposentadoria + aluguel com uma idade mais avançada, precisando de certos cuidados = miséria. Preciso construir um fundo sólido e adquirir minha casa.”
Enfim, se continuar com tudo o que passou pela minha cabeça não sairei da frente do computador nesse mês.
Não me arrependo de ter saído do Rio para BH pois sei que cresci enormemente, tanto na vida profissional, quanto na pessoal. Porém acredito que o meu trabalho já deu o que tinha para dar em termos de crescimento pessoal e profissional. O desgaste que me traz é muito maior do que os benefícios.
Me dei conta de que passei dos 8 para os 80! Para variar a tão valorizada e buscada por mim TEMPERANÇA é o que ainda estou longe de conseguir. Um dia chego lá… pequenos passos.
Comecei a viver o presente e esqueci do futuro, tendo abandonado um pouco o passado. Fiquei só no presente e não consegui conciliar minha vida do passado, com tantas pessoas importantes e amadas, e nem vislumbrar um futuro, que deve ser sempre planejado de alguma forma, para que quando chegarmos nele não fiquemos perdidos. Considero planejamento muito importante, mas não tenho feito nenhum.
Resolvi viver o presente sim, mas agora começo a planejar meu futuro. Uma mudança de trabalho, buscar mais estabilidade emocional, profissional e financeira, provável mudança de cidade. Planejar minha vida financeira, pois me dei conta de que estava apenas sobrevivendo com o meu salário.
Gasto com coisas que me dão prazer além dos gastos necessários para me manter, porém como não é planejado, gasto o que ganho e não guardo para o futuro. Isso já comecei a mudar!
Mais uma vez assistindo novamente um filme que gostei muito na TV, refleti sobre tudo isso e mais algumas coisas. Assim posto aqui para quem se interessar:
Tempo de Recomeçar
(Life as a House)
life_as_a_house_ver1
George Monroe (Kevin Kline) é um arquiteto de meia idade que descobre repentinamente que está com câncer e tem pouco tempo de vida. Ele então decide aproveitar o tempo que lhe resta para se aproximar de Sam (Hayden Christensen), seu filho problemático e rebelde, bem como fazer as pazes com Robin (Kristin Scott Thomas), sua ex-esposa. Ao mesmo tempo, George decide por construir uma casa, na intenção de deixá-la como herança para Sam.
Confrontado pelas novas mudanças que surgem na sua vida, decide começar a trabalhar no sonho de construir a sua própria casa.
Nesta altura de mudança, as pessoas que o transtornavam, desde a sua ex-mulher ao seu filho irreverente, lentamente se aproximam dele e apercebem-se como a suas vidas se modificaram completamente.
A construção da casa perfeita transforma-se numa metáfora para a reparação de uma vida destruída.
No decorrer do filme a reconstrução de relacionamentos e de formas de ver a vida são de uma beleza ímpar. O modo como uma pessoa pode tocar a outra e com isso modificar sua vida é algo de fantástico a ser visto.

5 comentários:

Stella Halley disse...

Lembro desse filme! Gostei demais. Vou rever.

Duda disse...

Eu tb passo pelos mesmos dilemas q vc... Tenho 31, quase 32, engordei 9 kg, tenho um marido e filha para cuidar, mas vivo presa no futuro... A casa eu comprei dividida em 20 anos rsrs... Faço terapia, mas, me pergunto se foi $$$ jogado fora. Acho q podemos fazer o hj melhor... Acho q podemos decidir o melhor hj.
Um grande bj, adorei o post

Anônimo disse...

Adoro filmes que enfatizam nossa possibilidade de mudança, reconstrução de relacionamentos. Vou correr para a locadora e alugar. Boa dica!

Stella Halley disse...

Achei melhor comprar um para mim! Obrigada pela dica.

Positivo Sim disse...

Que ótimo, espero que tenha gostado.
Abraços