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positivosim@gmail.com Sou um cara normal, que contraiu o HIV em uma relação homossexual monogâmica (ao menos da minha parte). O resto vai ser postado aqui nesse blog...
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

AIDS e Preconceito

Essa semana foi boa em alguns aspectos e terrível em outros.
Resolvi trocar minha terapia, meu trabalho parece que vai melhorar nos próximos meses, e comecei a agir, tomei decisões.
Por mais que meu trabalho pareça melhorar, não é o meu ideal de trabalho, portanto está na hora de buscar o que realmente me realize e correr atrás até conseguir.
Infelizmente morreu o pai de uma amiga querida. Estava na CTI e se foi rápido. Amanhã há o velório, mas por mais que eu queira muitíssimo ir, me assusta o estado de “guerra civil” do Rio nessas últimas semanas, com troca de tiros e queimando os carros nas ruas. Hora do exército entrar em ação e o governo municipal, estadual e federal trabalharem juntos, afinal, além de ser uma situação insustentável, em breve teremos Olimpíadas e Copa.
Estou aqui escrevendo as mais diversas questões e não cheguei ao título ainda… A questão que me fez pensar nesse post foi exatamente a doença e a morte do pai da minha amiga.
Ele morreu de uma DST (hepatite C), mesma doença que a mãe morreu há alguns anos atrás. Ambos só descobriram após na terceira idade e por conta de internações devido à doença.
A pergunta é: por que todo o preconceito com o HIV?
Quando alguém não se protege pensa imediatamente em AIDS e faz o teste, contudo pouquíssimos são os que fazem teste de hepatite C. Da mesma forma, quando alguém descobre ter hepatite C, não costuma esconder (conheço pais de amigos e tenho amigos que tem e não fazem a menor questão de esconder). Não existe o preconceito que há com o HIV, mesmo sendo transmitido por via sexual e apesar de ter tratamento, ser uma doença complicada quando descoberta tardiamente.
Por que o olhar torto, preconceito, medo de se relacionar com pessoas com HIV e não ocorre o mesmo com a hepatite C?
É algo apenas do imaginário das pessoas, não faz sentido algum a marginalização e preconceito com portadores de HIV. Foi o “monstro” dos anos 80, quando os tratamentos eram outros, que até hoje não foi apagado.
Espero que um dia o HIV não tenha essa carga toda na sociedade, pois deixa os portadores com medo de se expor, de se relacionar, de viver. Só traz mais problemas para quem já adquiriu um com o qual poderia viver e lidar de forma muito melhor e mais saudável.
Talvez esse post tenha ficado meio confuso, mas são coisas que estavam na minha cabeça há algum tempo e com a morte de mais uma pessoa, veio a tona com tudo, portanto senti a necessidade de colocar para fora.

2 comentários:

Evan disse...

Oi! Provavelmente esse preconceito ainda opera ao lado do preconceito com gays... há sempre o porém, algo do tipo "hj aceitamos melhor os gays, mas não se esqueça que nos deixaram um legado, o hiv"... na real, sempre acredito que as coisas vão melhorar, que certos estigmas vão se diluir dia a dia, mas depois de ler teu post e ver na tv jovens sendo atacados nas ruas com lâmpadas (é o fim) não tenho muita esperança de uma melhora... pareço pessimista? Sim, posso ser bem negativo às vezes. Agora, é dar tempo ao tempo. Abraço!

Positivo Sim disse...

Não acredito que seja isso, pois o preconceito é igual para homens ou mulheres com HIV. A questão é que acredito quea quantidade de casos de hepatite C deve ser menor do que de HIV.
Além disso não é uma doença muito divulgada, tanto que quando alguém passa por situação de risco faz HIV na hora, mas não conheço ninguém que tenha se preocupado em fazer exame de hepatite C.
Eu nesse aspecto sou mais otimista, pois acredito que com o tempo vai melhorar, tanto o preconceito com homossexuais quanto com o HIV, pois ainda está muito associado ao que o vírus fez nas décadas passadas.
Tenho 6 amigos que sei serem portadores, dos quais 5 tomam medicamentos e 1 precisaria iniciar mas ainda está relutante. Todos são pessoas normais, sem aquele aspecto de magreza absurda e rosto definhado que ocorria em grande parte quando outros medicamentos eram utilizados. Acho que talvez o preconceito maior seja por essa ligação.
E ontem passou o documentário que eu coloquei tantas vezes aqui mas acabei não podendo assistir. Agora é esperar a reprise