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positivosim@gmail.com Sou um cara normal, que contraiu o HIV em uma relação homossexual monogâmica (ao menos da minha parte). O resto vai ser postado aqui nesse blog...
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Preconceito II - marginalização

Hoje entrei no facebook com o perfil semelhante ao do blog, que está vinculado até. Na esquerda da tela, onde aparecem sugestões de amigos, apareceram dois conhecidos que tinham mais uns tantos amigos em comum. Vou confessar que doeu ver isso!
Me dei conta que essa marginalidade a que me permito viver é realmente terrível.
Por alguns segundos tive uma vontade gigantesca de unir o meu perfil real com esse que coloco anônimo, mas rapidamente desisti.
Ainda não estou pronto para assumir isso e levantar bandeira da causa. Admiro muito quem o faz, mas não quero ser visto e definido por um vírus, pois sei que é muito complicado e já passei por isso, em um outro nível de preconceito por conta da homossexualidade, situação com a qual hoje em dia lido muito bem e não faço a menor vontade de esconder.
Não escondo, mas não falo para quem nada tem a ver com isso, para pessoas que percebo serem preconceituosas e com as quais não tenho que conviver.
Sei que enquanto as pessoas não levantarem bandeiras e mostrarem que ser portador do HIV não é bicho de 7 cabeças, dificilmente as coisas mudarão. Contudo, não preciso de mais uma preocupação e estresse no momento, pois sei que é complicado.
Quem sabe um dia, no futuro.
Fico mais uma vez com um trecho do Rilke e me acalmo com isso:

...lhe rogo... ter paciência com tudo o que há para resolver em seu coração e procure amar as próprias perguntas como quartos fechados ou livros escritos num idioma muito estrangeiro. Não busque por enquanto respostas que não lhe podem ser dadas, porque não as poderia viver. Pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga viver a resposta...


2 comentários:

wanderlust disse...

é melhor se preservar. não é medo de ser hostilizado ou algo do gênero, mas o puro medo de ser tratado de maneira diferente, mesmo que com excesso de zelo por parte dos amigos e familiares. eu já pensei muito se deveria contar ou não, mas acho que prefiro ser tratado como um igual, como a pessoa que sempre fui e sempre serei. lindo o trecho do Rilke.

Positivo Sim disse...

Wanderlust,
no momento concordo completamente com você, mas sem as pessoas que levantam bandeiras, que se assumem para o mundo, não há como combater nenhum preconceito. Admiro essas pessoas, mas penso egoisticamente para viver melhor, ao menos até resolver outras questões.
Vou obedecer o trecho do Rilke por enquanto e esperar viver a resposta no futuro.