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positivosim@gmail.com Sou um cara normal, que contraiu o HIV em uma relação homossexual monogâmica (ao menos da minha parte). O resto vai ser postado aqui nesse blog...
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Início do Resto de Minha Vida

Tenho refletido bastante sobre as ocorrências após minha última postagem.
Fui à minha psiquiatra e comentei sobre o documentário que assisti e postei aqui. Falei sobre a questão de achar que talvez estivesse fora da realidade, pois o documentário falava em sobrevida e mostrava coisas que para mim faziam parte do passado. Foi uma sessão muito produtiva e tive uma ótima resposta, pois ela me disse que não estou fora da realidade, que realmente o conteúdo do documentário parecia algo saído dos anos 80 ou 90 e não da realidade atual do HIV. Daí ela me lançou a seguinte pergunta:
“O QUE VOCÊ VAI FAZER PARA O RESTO DA SUA VIDA?”
Não há que se falar em sobrevida, mas sim em vida! Ao descobrir que estava com HIV terminei minha primeira faculdade e resolvi cursar a segunda, que sempre foi minha verdadeira paixão. Virei minhas ideias do avesso, pois desde novo sempre pensei em trabalhar para ganhar muito dinheiro, porém, a partir de então, passei a pensar que não queria viver para as minhas férias, mas sim trabalhar com o que me desse prazer.
Na verdade fui de 8 a 80. Como sempre não encontro o caminho do meio, a temperança, virtude tão desejada por mim, me falta demais.
Trilhei um caminho acadêmico e me vi formado na segunda faculdade com 30 anos, sem um emprego fixo, fazendo comerciais e dando consultorias aqui e ali quando apareciam. Se continuasse na academia, fazendo mestrado e depois doutorado, estaria com 36 me vendo no mesmo lugar onde estava com 30, procurando um trabalho que me desse estabilidade. Resolvi deixar o mestrado de lado, naquele momento, e ir atrás de um trabalho que me sustentasse. E assim o fiz. Não apareceu na minha cidade, então me mudei.
Passados dois anos, estava insatisfeito com meu ambiente de trabalho e voltei para o Rio para um novo emprego, mesmo recebendo menos. Porém não imaginava o que seria o ano de 2010.
Após voltar, comecei a ver que meu trabalho não era viável. Por conta de problemas da empresa os projetos não iam para frente e meus salários sempre atrasados, sem as contribuições para INSS, FGTS e nem mesmo com o Imposto de Renda Retido na Fonte. Ainda não sei como será minha declaração no ano que vem. Espero que consigam resolver isso, afinal a empresa também precisa declarar e tenho a carteira assinada.
Voltando ao foco: está na hora de resolver o que vou fazer para o resto da minha vida. Preciso refletir e descobrir o que eu realmente gosto.
Vejo uma amiga, terminando o doutorado, encaminhando para o pós-doc, sem paixão alguma. Penso comigo: o que ela vai fazer então? Dar aulas não é nem de longe sua paixão. Não quero o mesmo para mim.
Antes de qualquer coisa preciso de um trabalho que me pague em dia, para me estruturar financeira e emocionalmente, assim já tenho alguns concursos em que me inscrevi, algumas possibilidades de emprego para o ano que vem, como professor ou talvez trabalhando na minha área de escolha se me selecionarem em uma ONG.
É a hora de pensar no resto da minha vida!
Não gosto da palavra resto, pois tem uma conotação ruim. Não digo fulano, beltrano e o resto, pois parece que é o que sobrou, que não tem tanta importância. Por isso utilizo a expressão “os demais”. Porém não encontrei outra palavra para a frase.
O resto não por que vai acabar ou porque o melhor já passou, muito pelo contrário, o resto, porque é a partir de agora. Talvez seja melhor eu me perguntar: o que eu farei com minha vida de agora em diante?
Não tenho dúvidas de que vou descobrir, e que mesmo que comece um trabalho agora pensando simplesmente na questão financeira, vou continuar me perguntando até chegar à resposta. Quando a resposta vier meus esforços estarão todos voltados para literalmente curtir a vida, e não será o HIV nem nada que me impedirá!
O título da postagem não saiu do além, me lembrei do filme com título parecido, de 1985, que acredito que todos possam se identificar:

O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas (St. Elmo’s Fire)

o_primeiro_ano_do_resto_de_nossas_vidas
Sete amigos recém-formados se deparam com a amarga realidade do mundo real, tendo que conviver com a insegurança profissional e emocional nesta nova fase da vida. Este novo momento pode pôr em risco a amizade existente entre eles, a qual acreditavam que seria eterna.

4 comentários:

Lucas disse...

Oi amigo!Achei seu blog através do google e vi uma postagem sua do ano de 2007. Acabei ficando um pouco mais no blog e vi suas postagens atuais. E sabe de uma coisa? Você não tem noção de como suas palavras foram tranquilizadoras pra mim. Meu namorado descobriu a um ano, mais ou menos, que contraiu o HIV do ex namorado. Eu fiz o teste também e deu negativo, embora eu queira repetir o teste. Mas o fato é que estamos juntos do mesmo modo e eu quero fazer todo o possível pra dar força a ele nesse momento em que tudo parece confuso, difícil ou até mesmo desesperador. Só queria dizer que sua visão da doença me passou um pouco da força q estou tentando dar a ele. É preciso encarar isso com naturalidade e perseverança. Brigado, ta? Eu volto a te visitar. Abraço e se cuida!

Positivo Sim disse...

Fico muito feliz com seu comentário Lucas.
Andei meio sumido do blog, mas em breve devo postar novamente.
Grande abraço

wanderlust disse...

compartilho de suas angústias e reflexões. no fundo, todos nós vivemos o resto de nossas vidas, com ou sem hiv. no nosso caso, o hiv traz uma certa angústia com relação ao tempo que "resta", mas o ideal é sempre viver com alegria e tesão, com projetos de curto e longo prazo e com muita satisfação no processo de realizá-los. viver cada dia como se fosse o último sem perder de vista o futuro que nos aguarda. é a sabedoria do lavrador, o tempo de semear, o tempo de cuidar, o tempo de esperar e o tempo de colher.

Positivo Sim disse...

Wanderlust,
faço das suas palavras as minhas!
Abraços