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positivosim@gmail.com Sou um cara normal, que contraiu o HIV em uma relação homossexual monogâmica (ao menos da minha parte). O resto vai ser postado aqui nesse blog...
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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Chegou a Hora!

Estou desde agosto do ano passado para fazer meus exames, porém quando a data ficava próxima eu acabava com uma gripe, uma sinusite braba ou qualquer outra coisa do gênero que me impedia de fazê-los.
A causa eu sei muito bem! Com o novo protocolo que indica o início da medicação com níveis maiores do CD4 do que antigamente, e com o meu CD4 tendo caído, ficava sempre aflito com os exames e acabava somatizando e ficando com uma gripe, resfriado, etc.
Finalmente consegui fazer os exames nesse mês e os resultados ficaram prontos ontem. Aliás, nada animadores!
A Carga Viral estava OK, mas meu nível de leucócitos (defesa do organismo contra agentes infecciosos e substâncias estranhas), que já havia caído para abaixo dos valores referenciais quando fui fazer exames para uma pequena cirurgia, porém 2 semanas depois os níveis caíram ainda mais, o que pode indicar uma baixa na imunidade.
Fora isso, tive alterações no nível de CPK e nas transaminases, para valores acima dos parâmetros.
Não me tomei pelo pânico, mas fiquei abalado, sem contudo estar surpreso. Acabei telefonando para a minha infectologista que primeiramente me acalmou, pois como bem disse, não apresento nenhum problema clínico aparente, e os exames devem ser vistos juntamente com a avaliação clínica do médico. Me disse também que essas alterações precisam ser vistas em conjunto, podendo não significar nada e que, como era de se esperar em algum momento, é bem provável que inicie medicação, afinal são mais de 10 anos sem medicação alguma. Contudo, fez questão de me dizer que existem tratamentos atuais que se toma a medicação apenas uma vez ao dia e que os remédios já estão bem evoluídos.
Passei os exames por e-mail para ela e agora é esperar minha consulta na terça-feira para ver o próximo passo e ir levando a vida da melhor forma possível.
2010 foi um ano bem difícil para mim. Me mudei de BH (onde não estava muito satisfeito e não havia me adaptado muito bem) de volta ao Rio com uma promessa de trabalho que não foi cumprida. Além de salários atrasados (cheguei a ter 4 meses de atraso), falta de pagamento por parte da empresa das contribuições trabalhistas (ainda vou ver essa semana como vai ficar resolvido isso para que eu possa fazer meu imposto de renda corretamente), algo que muito me angustiou foi o esquema de home office sem uma demanda de trabalho contínua e uma grande dificuldade de comunicação com os meus chefes. Era pagou, ainda que sempre em atraso (atualmente tenho 3 meses para receber!) para a execução de projetos que nunca ocorriam por falta de dinheiro da empresa, ou simplesmente por que um dos meus chefes não sabe focar e fazer uma coisa de cada vez, resolvendo começar tudo junto e não levando nenhum projeto para frente.
Se soubesse que seria assim, teria continuado em BH até conseguir um outro trabalho. Afinal lá eu recebia mais, em dia, tinha a minha casa, e todas as obrigações trabalhistas eram cumpridas. Podia estar infeliz com algumas coisas, mas trabalhava bastante e via os resultados. Não ver que seu trabalho gera frutos é imensamente frustrante para mim, e tenho certeza que essa situação contribuiu para uma piora na minha imunidade. Afinal “mente sã, corpo são”.
Agora chega disso, pois como disse muito bem o meu primeiro terapeuta, qualquer frase começada com “Se” não vale ser sequer iniciada, pois é parte do passado e esse não podemos mudar. Isso foi apenas mais um desabafo aqui!
O negócio é olhar o que posso mudar agora. Já estou distribuindo currículos há algum tempo e novas oportunidades hão de surgir (inclusive já tenho um jardim para fazer – além das duas faculdades que cursei e de milhões de cursos, fiz também paisagismo), e mesmo recebendo menos do que recebo no meu trabalho atual, prefiro ter um trabalho ativo, onde saio e encontro outras pessoas, recebendo em dia, ao invés dessa insegurança mensal que me desestrutura emocionalmente. Estou vendo também para onde me encaminho academicamente, pois sinto a necessidade de fazer mestrado e mergulhar no que eu realmente amo.
Minha terapeuta/psiquiatra me disse algo fantástico na última consulta. Era a hora de eu parar de pensar em não conseguir terminar as coisas (que não dependem de mim) e simplesmente começar. Não sei se faz sentido para quem lê, mas para o meu momento foi a frase perfeita e com todo o sentido do mundo!
Depois desse testamento todo, preciso postar aqui um filme que vi ontem e as entrevistas com a personagem real, pois mais uma vez a vida me mandando um sinal de que não estou em um estado de desespero, de que muitas pessoas passam por situações piores e conseguem enfrentá-las e SUPERÁ-LAS, virando um exemplo para milhões!
Segue a dica do filme e as entrevistas:
Flor do Deserto/Desert Flower (2010)
Desert-Flower-163707_L
Baseado no best-seller Desert Flower, é a autobiografia da modelo somali Waris Dirie, circuncisada aos 5 anos e vendida para casar aos 13. A garota fugiu da Somália e foi para os Estados Unidos, onde se tornou uma modelo mundialmente conhecida, além de embaixadora da ONU no tema.
Flor do Deserto–Trailer
Apelo de Waris Dirie
Já está mais do que na hora de por um fim na mutilação genital feminina!!!!

Entrevista com Waris Dirie
Mais de 2 milhões de mulheres passam pela mutilação genital feminina. Entrevista com Waris Dirie que faz campanha contra isso.

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